Assistencialismo Social em Odontologia

A Odontologia Social é vista como uma Odontologia de menor qualidade, a concepção da prática caritativa e assistencialista da Odontologia é a de baixa acuidade em infra estrutura e planejamento profissiononal. Porque a desigualdade social pode começar pela boca.

A dentista Caroline D. Girardi que faz assistencialismo com e para os Irmãos Maristas todas as quartas-feiras em um ônibus consultório em aldeias indígenas, vilas de Viamão, Alvorada, Cachoeirinha e Gravataí.

 

Entrevista filmada e decupada na íntegra com a Dentista Caroline D. Girardi de Viamão RS:

1) É verdade que dentista adora arrancar dentes? Não, é mito.

2) Você têm colegas de trabalho que foram contratados por empresas privadas para atendimento dos funcionários? Sim, alguns poucos. Isso é ainda uma novidade no RS.

3) Você têm colegas que doam parte de seu tempo de trabalho para atendimento gratuíto à população de baixa renda nos seus próprios consultórios (utilizando seu equipamento, sua própria estrutura geral)? Não, somente em consultórios criados para finalidade de assistencialismo social.

4) Por volta de 30 milhões de brasileiros já não possuem nenhum dente, e isso é um fator que afeta diretamente a qualidade de vida e principalmente de trabalho, ocasionando problemas com empregados e empregadores do país. No seu curso universitário foi articulada as preocupações existentes com a saúde do trabalhador, entendidas como um auxiliar na produtividade do país? Me formei a 03 anos e meio na Universidade Paulista em São Paulo, e essa articulação foi muito superficial. Não tive disciplinas que recorriam a este tema.
5) A Odontologia do Trabalho é uma parte da Medicina do Trabalho aplicada à área estomatologica (área de atuação do cirurgião dentista). Odontologia do Trabalho não significará ônus para os empresários, visto que seu foco NÃO é assistencialismo. A incorporação da Odontologia do Trabalho nas empresas traz vantagens a que grupos socias?

Para as empresas, em primeiro lugar, o trabalhador tem diminuição de faltas ao trabalho, aumento da produtividade, diminuição dos problemas médico-odontológicos, queda nos registros de acidentes de trabalho, possibilidade de programar os atendimentos odontológicos e de abater as consultas no imposto de renda.
- Para os trabalhadores, possibilidade de acesso, melhoria da qualidade bucal, elevação do potencial de produtividade e aumento da motivação.
- Ao cirurgião dentista é uma nova área de trabalho, pois a Odontologia do Trabalho passa a assumir sua função na responsabilidade social representando um nicho de mercado para outras especialidades.
- Para o governo proporciona a diminuição da procura no serviço público de saúde, o aumento da possibilidade de atender outras categorias e,
- para a Previdência, a diminuição de afastamentos por doença ou acidentes de trabalho reduzindo o número de benefícios.

6) Existem fatores culturais que você identifica que prejudicam o assistencialismo odontológico?
As empresas devem promover o habito da prevenção aos seus servidores evitando os desconfortos e também as saídas de emergência que não estavam agendadas no cronograma de trabalho que certamente afetarão a produtividade. O problema maior ainda é justamente a questão cultural da população em não consultar o cirurgião dentista regularmente e então se deparar com dores que se prolongam por muito tempo proporcionando noites mal dormidas, alimentação prejudicada, irritabilidade, redução na produtividade, promoção de acidentes, desarmonia entre colegas, enfim uma desmotivação geral.
7) A população, quando procura espontaneamente por um tratamento odontológico se depara com valores exorbitantes. E o que fazem?
Procuram clínicas populares que prometem qualidade por menor preço e o resultado nós já sabemos… Um caos! Mesmo as empresas que oferecem plano de assistência odontológica paga pelo empregado, só terão um bom retorno caso tenham obrigatoriedade de realizar os exames periódicos.

 

 
 
 

Perfil de Coordenador


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A coletiva dos alunos de Redação Jornalística II, da Professora Thaís Furtado, dispôs de 60 minutos de conversa com o jornalista Edelberto Behs. Que teve sua calma abalizada pelos alunos ao ser interrompido diversas vezes pela batucada carnavalesca de formandos, comemorando nos corredores em frente à sala. Pensou em levantar e pedir silêncio, deu impulsos na cadeira, mas foi mais democrático e esperou o silêncio porvir.

O marido de Anelise e pai de Mateus (28) e Michel (22) é assim, de aparência calma e personalidade agitada. Para todos assuntos há opinião e comentário, ele não é indiferente, e expõe sua força de maneira sútil e letífica. Talvez seja porque ele se sente à vontade e creio que até mesmo venturoso em identificação com a Companhia de Jesus desde 2003, quando foi admitido Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos em São Leopoldo, cidade em que está radicado.

A cidade natal é Estrela, na Serra Gaúcha, onde nasceu em 1949, predestinado à carreira ecumênica. Aprendeu latim e alemão no colégio. Estudou Teologia no Morro do Espelho, a Escola Superior Luterana de São Leopoldo. E foi jornalista no Jornal Evangélico, onde surgiu a oportunidade de cobrir a 8º Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas em Harare, no Zimbábue. Foi nessa investida africana que conheceu Nelson Mandela, que esteve presente no encontro religioso para agradecer a ajuda financeira prestada pela Igreja aos negros durante o apartheid. A figura humana de Behs se encantou com a dança de Mandela ao som do Coral de crianças negras, e nesse momento, todos os esforços para defender a Igreja das acusações de patrocínio aos guerrilheiros foi recompensada em um real deslumbramento solidário.

Entre perguntas passadistas, “as dúvidas dos estudantes de hoje são piores, porque há mais opções hoje em dia”; desabafando desafios, Behs articula toda responsabilidade de ser coordenador universitário. E lembra da dificuldade de ser aluno, de como é duro ter que trabalhar e estudar, do quanto a vida virou simultânea e urgente. “Meu pior momento talvez tenha sido quando cursava meu Mestrado em História e trabalhava como Diretor da faculdade do Colégio Bom Jesus em Joenvile. Entendo os alunos, e vejo como as bolsas fazem falta e como atrapalha a crise financeira que a Unisinos vêm passando”.

Objeções, obstáculos, intricações, nada provoca nostalgia dos vôos, na época de piloto de aeronaves civis. Sobrevoando a cena, Edelberto cultiva e realiza o sonho de adolescente de querer mudar o mundo e preocupar-se socialmente. Inspirando-se no profeta Amós e os textos fabulosos das vacas de basã, encontra sentido no trabalho acadêmico, e conta com dias de maturidade para a ciência comunicacional.

* (foto captada no site Portal3/Arquivo)

Mapa no GoogleMaps para encontrar o Coordenador.

O Túnel segundo o Padre

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O Padre, ou melhor, Pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, Rogério Luís Flôres, me recebeu em uma tarde de segunda-feira animado e curioso a respeito do motivo da entrevista. Cheguei pontualmente no horário marcado, mesmo assim, ele estava ansioso. Pedi para contar um pouco da sua vida escolástica, onde nasceu, onde estudou, onde gostou mais de ter trabalhado. Enfim, até que ponto sua história de vida transpassava a história daquela Igreja. O padre nasceu em Montenegro, em 1964; estudou no tradicional Seminário São José em Gravataí e recebeu ordenação Episcopal em 1991; lecionou em catequeses de inúmeras cidades do país até retornar ao Rio Grande do Sul ao ser promovido Pároco em Viamão após estudos no Seminário Maior de Viamão. “Me sinto intimamente ligado a Igreja Nossa Senhora da Conceição, pois estudo e gosto da história do Brasil, e Viamão é ponto de esclarecimento de fatos da colonização açoriana e da história militar e de luta do povo sul brasileiro”, diz Flôres.

Quando perguntei da veracidade do túnel, ele soltou um “Haa, foi por isso que você marcou essa entrevista então, deixa eu te mostrar o túnel”. Saimos da sacristia, passamos pela nave central, subimos no altar, passamos pela mesa e atrás de um arranjo imenso de flores de plástico, ali estava. Uma porta de madeira estreita e baixa. O padre abriu e dava para uma escada de pedras. Subiu um ar de adega subterrânea, cheiro de cave, água e terra. Descendo a escada continuava um corredor estreito. Ali estava o túnel. Com 3 metros de comprimento, paredes tombadas, e a partir do seu terceiro metro tudo desabado: teto, paredes, chão; nada mais existia dali em diante. Só a memória e escombros de um túnel, provavelmente construído por escravos de fazendeiros em uma data perdida no tempo. Com a finalidade de proteger moradores das tropas de Bento Gonçalves e Onofre Pirestro. E proteger-se dos inúmeros revolucionários que ocuparam a cidade quando Legalistas e Farrapos lutaram em Viamão. Mas o padre disse que não possui documentos comprovando que aquele local desabado seja realmente um túnel, e nunca conversou sobre o túnel com outros religiosos que por ali trabalharam anteriormente. A Igreja foi visitada por historiadores mas nunca por arqueológos. Em 1938 foi tombada pelo serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas nos documentos, que o padre Flôres me mostrou com todo cuidado, não consta nenhuma observação sobre o possível túnel. Creio que ainda não ocorreu uma motivação para pesquisa da origem dos escombros. A história começa a partir do acesso à documentação de época e depende da conservação dos documentos oficiais e registros informais do povo.

Vídeo apresentação:

IGREJA MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Segunda mais antiga do Estado, sua construção iniciou em 1767, tendo sido celebrada sua primeira missa em 1770. A construção de estilo barroco assemelha-se a uma fortificação, reflexo do período de disputas na fronteira entre os territórios português e espanhol na América do Sul. O projeto é do Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria, mesmo projetista das catedrais de Buenos Aires e Montevidéu. Na relação de bens integrados se destacam os altares e imagens esculpidas em madeira.

{O Paroco Flôres me aconselhou a frequentar as missas da Igreja Católica. Durante a semana as missas ocorrem às 18:30h, nos Sábados às 18:00h e Domingos às 09:00h e 18:30h. A entrevista foi desautorizada de fotos, filmagens e gravação de áudio.}

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O Túnel segundo as freiras

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O relato demorado e paciênciosos da irmã Zóile Cecília Herrmann nos faz notar que o colégio Stella Maris pertencente à Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria têm muita história, tanto de seus personagens, como suas construções. Muito foi perguntado e respondido até se chegar a questão , ao maior objetivo da entrevista. Porque a pergunta era delicada, beirando a fantasia ou mito. Mas afinal perguntei: que diaxo de túnel é esse, que tem quase 500 anos de construção e que liga a Igreja Matriz ao Colégio. Isso é verdade? Alguém já pediu para averiguar, IPHAN, Prefeitura, arqueológos, museológos, Patrimônio Público/Cultural Municipal??

A simpática irmã começou a rir, e disse que ela nada sabia a respeito do túnel; o trabalho árduo e constante com a educação e evangelização com crianças não a permitia tempo e curiosidade sobre o mito do túnel, que há muitos anos o objetivo das irmãs é a caridade constante e o pensamento em Deus. A irmã explica que o Colégio foi fundado em 1938, muitos anos depois da Revolução Farroupilha e da construção da Igreja Matriz. Mas não soube esclarecer qual prédio/casa havia ali no terreno do colégio antes da fundação. E de quem era a propriedade. As terras do colégio foram doadas em parte pela Prefeitura e por moradores. E também, há o fator ‘reformas’. O colégio e o pátio do colégio passaram por muitas obras, sofreram um incêndio, aumentos, trocas de piso, em quase todas gestões de diretoria. O prédio original, de 1938, foi demolido em 1965. E as pessoas que poderiam me auxiliar nessa dúvida a respeito do túnel já estavam mortas há muitos anos. Que pena! A irmã Zóile não acredita no mito do túnel e diz que não pretende estimular essa curiosidade subterrânea. Talvez seja por isso que não permitiu a gravação da entrevista e de imagens internas do colégio.

Pauta

Entrevista de 4000 mil caracteres com links de hipermídia e hipertexto com a irmã católica, Madre Superiora Zóile Cecília Herrmann em Viamão, sobre o mito do túnel que liga à Igreja Matriz ao Colégio Estela Maris, onde ela é diretora. Há boatos que o túnel foi construído durante a Revolução Farroupilha, que justamente terminou na cidade de Viamão, onde os revolucionários utilizaram a Igreja e o colégio como abrigo e refúgio. Entre outras perguntas sobre a origem do colégio, a razão do nome, a formação intelectual das irmãs, as etapas de formação religiosa individual da madre diretora. Essas informações em um post.

No próximo post, entrevista com o paroco Dr. Pedro Carlos Cipolini da Igreja Matrix Nossa Senhora da Conceição sobre o túnel ou que tenha restado dele depois de quase 500 anos de construção. Sobre a curiosidade do povo sobre o túnel ou interesse da imprensa.