Opening of the Beekeeping Season! Welcome bees.
As notícias do meio especializado dizem categóricas: as abelhas estão sumindo! Einstein até previu isso. Então, o mel e seus derivados encarecem e se qualificam cada vez mais — para manter as abelhas. Nas partes mais poluídas do globo, já são raras as abelhudas. Mas vamos falar sobre a prerrogativa elíptica do que vem acontecendo.

welcome bee
Está no estado de Santa Catarina a mais bem organizada rede de apicultura do Brasil. O mel pronto para campeonatos de degustação às cegas, para exportação e para se tornar a referência em termos de sabor e manuseio. Aqui está a bússula para todos os connaisseurs ou pretendentes na compra e consumo do alimento que é hoje um dos fetiches de consumo dominantes do mundo ocidental. Hoje transformou-se em commodity, estudado, apreciado e julgado tal como especiaria e não mais como remédio caseiro, tal qual era lembrado.

Noticio aqui a abertura da safra de verão do mel brasileiro. A apicultura e seus afins trabalhadores, em Florianópolis, Santa Catarina, colaboram com a imprensa trazendo informações sobre esse universo, e por consequência nos trazem um fato raro de acontecer: a midiatização de uma cultura que não era popular e massificada. E agora encontra ressonância na verve daqueles que estão ávidos por informação e produtos de qualidade. A cultura apícola traz a tona o interesse pela terra, pela fauna, pela flora, por tudo que nos constitui e sustenta. Quando falo em apicultura, falo no crescimeno das cidades, na poluição, no grau de escolaridade, no dinheiro, saúde e doença. Tudo tão relacionado e mega interligado.
Um grupo de apicultores uruguaios, a vinte anos instalados na ilha, é o responsável pela apicultura cerebral que provida de uma paciência titânica, tem feito surgir o supra-sumo do mel brasileiro. Foram os pioneiros na venda de polen e na distribuição de caixas de abelha pelas montanhas da ilha. São contrários a pasteurização e filtragem do mel para que o mesmo não perca valor microbiológico.Vocacionam princípios que estão bastante na moda: baixa tecnologia, volta à natureza, pequena escala, produção limitada; é uma exultante ideia de um equilibrio orgânico, natural, respeitador do meio ambiente. É um léxico que faz o ser pensante se sentir muito à vontade.
A produção é baixa e por isso a qualidade é a prioridade, as técnicas e estratégias de manuseio apícula também se diferem das que colocam grande parte do mel no mercado brasileiro. O ano se divide em duas safras, mas as abelhas são observadas integralmente num ritmo abnegado e meticuloso.
O mel, a propólis, a cera e o pólen das abelhas de Florianópolis são considerados produtos raros, low-tech, disputados no mercado internacional (o que até nos remete a produção de vinhos em garagistes na contra mão dos châteaux). Aqui, a apicultura tem status de viticultura, com diferenciação de terroirs, microclima e qualidade do ar.
Só mel feito na natureza peculiar da ilha, das suas montanhas ermas, poderia ser tão saboroso, porque é colhido para as papilas gustativas de turistas de passagem. É mel inigualável, amarelo esverdeado e cru, com um cheiro de ervas esmagadas, ou cheiro de trilha pelos matos de arbustos floridos da cadeia de montanhas que cerca as lagoas da ilha.
É possível que esses caras possam mudar o mundo com verdades tão inocentes?
Luana Schreiner
Lugares diferentes na face da terra possuem eflúvios vitais diferentes, uma vibração diferente, uma exalação química diferente, uma polaridade diferente com estrelas diferentes: chame do que quiser. Mas o espírito do lugar é uma grande realidade. David Herbert Lawrence, Notthingham 1930.
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