Remédio para crise de percepção

Aí esta o filme do Zeitgeist Movement, você precisa de 1h: 58min: 08 seg para assistir este documentário legendado em português e aúdio em inglês. É um documentário escrito e narrado por Peter Joseph.

O longa metragem, chamado Zeitgeist (o espírito da era) foi lançado em 2007 e até hoje faz enorme sucesso, então  foi criado um anexo, sua sequência, o Zeitgeist – Addendum, estreiado em 2008.   Ambos os filmes são disponibilizados gratuitamente no site oficial:

 http://www.zeitgeistmovie.com/

Ambos podem ser assistidos online, ou baixados via tecnologia torrent.

Os assuntos tratados nos filmes: é o sistema monetário atual, a escravidão do século XXI, e, principalmente a corrupção. O movimento explica o estruturalismo e lógica do capitalismo, socialismo e o fascismo.

Pela internet já existem diversos fóruns onde as pessoas  discutem e colaboram com pontos de vista criativos para uma possível nova civilização, e trocam experiências de participação nas intervenções e protestos do Zeitgeist pelo mundo todo. A agenda das manifestações públicas está no sítio do movimento na Web:

http://thezeitgeistmovement.com/

 

dissiminação dos projetos do movimento social pela Europa

dissiminação dos projetos do movimento social pela Europa

                                                                                      Um terceiro filme Zeitgeist III, vai estreiar em Outubro de 2010. Peter Joseph disse que o filme se focará no comportamento humano, tecnologia e racionalidade, e vai dar exemplos de como ocorrerá a mudança para uma nova configuração de sociedade.

Luana Schreiner

Dia Mundial da Água e Lagos que Morrem

Notícia Jornalismo Participativo – Conteúdo Gerado pelo Usuário (enviado para VC no G1 da Globo.com) Por Luana Schreiner

E foi no Dia Mundial da Água, em 22 de Março, um encontro/debate entre o Prefeito de Viamão, Alex Boscaini e a ISCA-Instituto Saberes e Cuidados Ambientais no Lago Tarumã em Viamão. A iniciativa serviu para chamar atenção para a morte do Lago, que está tomado de algas devido aos afluentes de esgotos que ali são despejados oriundos de todo centro da cidade.

A Prefeitura montou uma tenda e convidou alunos de uma escola municipal para assistir o debate. Devido aos 30 minutos de atraso para início do evento, os alunos se levantaram e foram embora. Perguntados porque não esperariam pela chegada do prefeito, responderam: –“Estamos com sede, está quente, a bancada dos políticos ganhou garrafinhas de água, e a nós, pouco mais de 40 estudantes, nada foi oferecido”. Gritou um anônimo.

Na bancada aguardavam pelo prefeito, o Presidente da Assembléia Municipal de Porto Alegre, Fernando Záchia, o Presidente de uma ONG de Viamão, Delmar Sitoni, o Secretario de Meio Ambiente de Viamão, Rogério Francisco Cardoso e a promotora da cidade, Anelise Grehs. Todos com discursos afinados e congruentes, todos prontos a apresentar um mesmo ponto de vista: conhecemos o problema do Lago, prometemos que vamos salvá-lo!

Foram distribuídas cartilhas da ISCA sobre como cuidar bem da água, haviam postêres, com mapa da bacia hidrográfica do Gravataí, e nomes de projetos já lançados e a serem lançados pela ISCA , Prefeitura de Viamão e Assembléia Municipal de Porto Alegre.

Haviam moradores do entorno do Lago fazendo protesto com cartazes e reclamando do esgoto, das algas nas águas, do mato e lixo, das ruas esburacadas e empoeiradas, da falta de lixeiras, segurança e do risco de dengue devido a altissíma incidência de mosquitos em todo bairro Tarumã, pois a sujeira e poluição do Lago eliminaram a correnteza e o fluxo de água da nascente até o corrego afluente do rio Gravataí. Ou seja, os moradores manifestavam sua contradição pelo abandono do lago por parte das autoridades públicas.

O evento foi polêmico e incongruente pelos seguintes motivos: 1º) dois (02) dias antes, os moradores se reuniram e contrataram uma patrola e compraram caçambas de saibro para patrolar ruas no entorno do lago, principalmente aquela em que o evento se realizava. Seria impossível a Prefeitura ter montado a tenda sobre buracos imensos e em grande quantidade que havia no local, pois até mesmo o palanque da bancada de políticos ficaria instável, sem apoio reto. Foi uma feliz coincidência para Prefeitura. Pois ninguém sabia do evento. Não foi divulgado pela imprensa da cidade; 2º) O evento era para comemorar o dia da água e falar em defesa da mesma, chamar atenção para o Lago Tarumã, só que o pano de fundo era o lago praticamente morto, que por lei, é uma reserva biológica municipal, totalmente negligenciada pelo DMLU a anos; 3º) a 100 metros à direita e à 300 metros a frente do palanque, passavam dois valões de esgoto não canalizados, mesmo com o recurso federal de R$ 10 milhões provenientes do Governo Federal pelo PAC recebidos para o saneamento básico do município; 4º) Os políticos não deram abertura para diálogo com os manifestantes porque tinham a certeza e convicção que a mídia publicaria o evento positivamente. De fato, os jornais da cidade, no dia seguinte, parabenizaram a Prefeitura pelo excelente evento e pela preocupação com o Lago. Observem as fotos e comprovem a dissensão da iniciativa pública, ou melhor, a cara de pau mesmo.

Depoimento de um dos participantes:

http://vhecologia.blogspot.com/2005/12/meio-ambiente-e-sustentabilidade-um.html

Notícia sobre o evento:

http://www.jornalcorreiorural.com.br/

Divulgação do início do saneamento básico nos arredores do Lago tarumã

http://www.viamao.rs.gov.br/obras03.htm

Na sequência, as fotos do evento, onde mostra a platéia à frente do Lago Tarumã – Morto – , coberto por densa camada de algas, tendo um valão de esgoto á céu aberto logo atrás da última fileira de cadeiras. Os manisfestantes, moradores locais, pedindo a limpeza da água. E os políticos discursando na bancada.

Fruição da Verve Musical

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Por Luana Schreiner

Não precisa ser metódico e nem mega organizado para ser feliz compilando todas as músicas que você adora. Ainda bem que existe a dica como atalhador do bom ouvinte.

Não sei se foi por conta da minha curiosidade adolescente ou pura afinidade eletiva. Mas eu fazia lista de tudo, das árvores, flores, livros, editoras, filmes, das músicas (que lista hein) e até palavras. Tudo anotado na caderneta que era uma prótese do meu ser. Agora é hora de se deleitar nos arquivos virtuais, é claro.

Achei o Last.FM; com possibilidade de escolher os artistas favoritos à procura por tags (estilos musicais), passando pelos usuários, montagem das rádios e inclusão das estações em sites e blogs. O passo inicial é fazer o scrobbling de uma música. Isso significa que, ao ouvi-la, o título dela será enviado para a Last.fm e adicionado ao seu perfil musical. Fácil. Assim que você se registrar e baixar o software do Lat.fm , você também vai poder fazer o scrobble das músicas que ouve no seu computador ou no seu iPod. É só começar a ouvir e as músicas também aparecerão na página do seu perfil na Last.fm para que outros possam ver essa lista totalmente.

A todo momento os usuários do site fazem milhões de scrobbles de músicas. Esses dados ajudam o Last.fm a organizar e recomendar músicas. Dessa forma, é possível criar estações de rádio personalizadas e muitas outras coisas. Isso é um sistema auto organizado. Cada ouvinte organiza seus dados e devolve como informação ao sistema. Quer saber sobre um conceito de emergência, clique no link Tabelas na parte superior da página, para ver o que os usuários do Last.fm ouviram com mais freqüência na última semana. Adicione seu gosto musical à mistura de muitos estilos e ajude a incluir algumas músicas bem interessantes na lista das 10 mais.

Quando estou ouvindo meu rocker predileto, à esquerda há gerada uma lista de artistas que dialogam, têm semelhança com meu artista. Há listas dos artistas que mais foram ouvidos na semana. Há a lista de gravadoras deste artista. Há lista dos blogs relacionados. Há os vídeos. Há a lista dos amigos e dos vizinhos musicais.

Fique maravilhado. Não há célula organizadora. Somos nós, simples usuários, seguindo links simples em um site fassílimo de ouvir e ter música, que geramos uma estrutura invisível e complexa de emergencialidade. (link para retranca do conceito)

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Treehouse, considere essa idéia

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Por Luana Schreiner

Bioarquitetura – Construções Ecológicas, Design e Tecnologia para uma Arquitetura Sustentável – Palestra em espanhol. 18 de março às 19h:30min Auditório Goethe- entrada franca. Rua 24 de Outubro, 112 Porto Alegre RS Brasil www.goethe.de/portoalegre
Desde 1974, quando se doutorou pela Universidade de Kassel, Alemanha, o professor, engenheiro e arquiteto Gernot Minke, coordena o Laboratório de Pesquisa para Construções Experimentais. Entre os mais de 30 projetos desenvolvidos nas áreas de construções ecológicas, construções de baixo custo e de baixo consumo de energia, destacam-se os projetos de construção com terra, blocos de palha e cobertura vegetal de telhados (telhados verdes).

A exposição fotográfica exemplificando projetos em bioarquitetura idealizados pelo Prof. Gernot Minke, do Escritório de Planejamento para Construções Ecológicas, de Kassel, Alemanha.De 17 a 28 de Março na Galeria do Goethe, visitação segundas a sextas, das 10 às 20:00h e sábados, das 10 às 12:30h.

Visite o site e a bildergalerie: www.gernotminke.de

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Realismo

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Há uns dezoito anos atrás (segundo fonte), quando era comum ler por aí as dissertações sobre o irreversível declínio americano, Joseph Nye predizia que a América permaneceria em posição hegemônica, pois ela mantinha, apesar de seus problemas econômicos, seu poder de influência através da cultura, da tecnologia, etc. Contra a corrente, Joseph Nye prega, em plena euforia uniterialista, a negociação e o multilateralismo.

A doutrina do governo Bush está efetivamente, fundada no princípio da “auto defesa preventiva decidida unilateralmente”. Os falcões têm uma visão marcial da ordem mundial. Eles se consideram da tradição “realista”, para quem os recursos militares constituem o indicador essencial da potência, todo sabemos.

Nessa ótica, se uma “mudança de regime” no Iraque se impõe, não têm muita importância o fato que os países arábes e os europeus sejam opostos a ela. E quando se trata do protocolo de Kyoto, da Corte Penal Internacional ou da Convenção de Genebra, os EUA estão tão seguros de seu direito, por isso pouco se preocupam com o direito internacional.

Professor universitário de renome, Joseph Nye ocupou importantes funções nos terrenos da defesa e da política internacional lá no seu país. Sua crítica se situa no campo do pragmatismo e da defesa dos interesses americanos através de uma visão multilateral que leva em conta os interesses e as preocupações da “comunidade, que não influenciarão o seu crescimento econômico internacional”. Nem a potência militar dos Estados Unidos, nem seus profetas terão influência sobre o seu crescimento econômico, sobre a pobreza, o meio ambiente ou sobre os fluxos financeiros migratórios.

Através desta articulação me foi indicado The Paradox of American Power: Why the World’s Only Superpower Can’t Do It Alone, Oxford University Press, 2002 e o livro de Joseph Nye: The Changing Nature of American Power, Basic Books, Nova Iorque, 1990. Indico para quem neste momento quer encontrar mais razões para crise de recessão que enfrenta os EUA, para quem lê bem em inglês.

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Wolff celebra o povo e vocifera contra a lógica do lucro

bocas.jpg Para Schopenhauer, os grandes escritores sempre escrevem partindo das reminiscências, fazendo de si tema de sua literatura. Já para Joseph Brodsky, “a biografia de um escritor está nos meandros de seu estilo”. Essas afirmações permitem entender A Milésima Segunda Noite, de Fausto Wolff, livro monumental, que não pode ser classificado facilmente, embora seja lido com grande prazer do início ao fim. Não se lê apenas um livro, lê-se um homem fadado ao imenso e às marcas de um mundo de experiências e reflexões que ficaram impressas nele. É título obrigatório na estante de qualquer interessado em cultura e não apenas literatura.

Composto de fragmentos, narrativas, opiniões, acusações, crenças e descrenças, poemas, aforismos, contos, crônicas, artigos, avaliações críticas, A Milésima Segunda Noite é um grande painel sem linearidade, que transita entre o agora e as teorias do surgimento do planeta, num nítido anseio de criar passagens entre o Gênese e o Apocalipse, escrevendo epitáfios aos grandes homens e suas obras iluminadoras, execrando os canalhas, entronizando o povo e vociferando contra a lógica do lucro.

Na tentativa de aproximá-lo de um gênero, poderíamos dizer que é um diário, mas escrito com intenções romanescas, prendendo o leitor em uma trama implícita. No livro não há uma história central. Há um homem com milhares de histórias. O simples ato de contar é o elemento aglutinador.

O autor dá algumas definições da obra, como a seguinte: “Trata-se de uma espécie de Ilíada mundial vista sob a perspectiva de um jornalista carioca”, reivindicando o encontro do literário e do jornalístico. E esse é um dado importante. Fausto não quer um estilista, ausente do debate de seu tempo, mas um escritor afundado nos fatos, avesso ao beletrismo frio e defensor de uma arte com humanidade: “Escrever bem é importante, mas não é o essencial. O essencial é a sinceridade. Pelo menos tentar ser sincero de todo coração. Isso, por si só, já é um estilo”. Esse estilo-sinceridade da unidade ao livro, fazendo dele o extenso depoimento de um narrador para quem o mundo existe na medida em que pode ser contado, e atestando uma crença na permanente necessidade de se contar o mundo, não apenas para que o escritor não morra, mas para que o mundo possa continuar existindo.

O poder do surgimento das histórias determina a concepção de tempo para Fausto. O tempo é um eterno presente e todas as coisas acontecem ao mesmo tempo há bilhões de anos. Para ele, não há uma história do mundo, no sentido cronológico, e sim a ação de instantes dessa temporalidade plena e redundante sobre o homem. Numa época marcada pela imbecilidade em que só prosperam os diplomáticos, comprando apoio à esquerda e à direita, em que “a publicidade venceu a batalha contra o intelecto”, Fausto Wolff distingue-se pela coragem de dizer tudo o que pensa, exercendo um exacerbado espírito masculino. Para Walter Benjamin, o bom escritor não diz mais do que pensa. Por isso, o seu escrito não reverte em favor dele mesmo, mas daquilo que quer dizer. Poucos escritores contemporâneos se enquadram melhor nesse preceito do que Wolff. Ele é um exercício de reflexão vital. Boa leitura!

fausto-wolff.jpgFoto de Cristina Carriconde

Leitura para quem gosta de: Cultural Studies, Estruturalismo, Frank Raymond Leavis, para quem leu Cultura e Anarquiade Matthew Arnold 1935, quem gosta de ler a revista Scrutiny. Leitura indicada para pessoas do sexo masculino, creio eu.

Luana Schreiner

O que é o que é?

O que é Yoga?

Existem muitos significados e definicões para a palavra Yoga.

A raíz vêm da palavra sânscrita yur, que significa “unir”, mas o significado do sistema nascido ha mais de 5.000 anos na India, e que comporta filosofia, ciencias e práticas físicas é bem mais amplo e profundo. Escolhi algumas definicões, das mais antigas, extraídas dos textos clássicos, as contemporâneas, adaptadas por mestres e estudioso da nossa época. Tudo da minha caderneta de anotacões imprescindíveis, é claro.

Muitas interpretações diferentes foram dadas para a palavra Yoga no decorrer dos séculos. Uma dessas definições é “juntar”, “unir”. Outro significado para a palavra Yoga é “amarrar as cordas da mente” (…) esse aspecto do Yoga tem a ver com nossas ações. Portanto, Yoga também significa agir de forma que toda nossa atenção esteja direcionada para a atividade em que estamos engajados no momento (…) O Yoga tenta criar um estado no qual estamos sempre presentes – realmente presentes- em toda ação, em todo momento.” T.K.V. Desikachar, The Heart of Yoga (p. 5 e 6).

“Ao Yoga se chama equilíbrio (samatva)” Bhagavad-Gita (2.48)

“Outro significado do Yoga é o de alcançar o que era antes inalcançavel” T.K.V. Desikachar, The Heart of Yoga (p. 5)

“Diz-se do Yoga que é a unificação da teia das dualidades”. Yoga-Bija (84)

“Yoga é ser um com o Divino” T.K.V. Desikachar, The Heart of Yoga (p. 7)

“Yoga é a habilidade nas ações” Bhagavad-Gita (2,50)

“Diz-se do Yoga que é a unidade da respiração, da mente e dos sentidos, e o abandono de todos os estados de existência” Maitri-Upanishad (6,25)

“O Yoga é conhecido como a dissociação da associação com o sofrimento” Bhagavad-Gita (6,23)

“O Yoga, segundo se diz, é o controle”  Brahmananda-Purana (2.3.10.115)

“Diz-se do Yoga que é a unidade de expiração e inspiração, de sangue e semen, bem como a união do Sol com a Lua, da alma vivente individual com o supremo Si Mesmo”. Yoga -Shikha- Upanishad (1.68-69)

“Isto chamam eles de Yoga: a firme contenção dos sentidos”  Katha-Upanishad (6.11)

“Yoga é um dos seis sistemas fundamentais do pensamento indiano coletivamente como darsana; os outros cinco darsanas são nyaya, vaisesika, samkhya, mimamsa e vedanta”.  T.K.V. Desikachar, The Heart of Yoga (p.5)

“Yoga é a disciplina unitiva pela qual se busca a liberdade eterna”.  George Feurstein, Uma Visão Profunda do Yoga (p.87)

Em Busca de Mim entre o Om e o Yoga

Fazem anos que me dedico a pensar sobre o Yoga e fazer crescer a vida permeada a textos e asanas. O amigo fiel leitor pode perguntar, “mas por que justamente o Yoga?” Por que uma disciplina tao exotica e distante em termos de tempo e espaco, de cultura e símbolos? Nao seria mais lógico optar pela antropologia, a psiquiatria ou a neurobiologia, ja que o objetivo é compreender o ser humano, ou a mim mesma? Então por que o Yoga?

Recomendo aqui um livro que sempre cito quando me fazem essa interrogacão. Com todo entusiasmo indico  Om, Meditacoes Criativas, Ed. Record Nova Era, do filósofo e escritor americano Alan Watts, que além de ter sido, creio eu,  um ícone da geracao hippie, foi professor de teologia na Harvard e um dos pensadores a iniciar o diálogo Oriente-Ocidente.

No livro esta escrito que “é necessário chegar ao Om”, foi essa frase que me marcou profundamente quando  o li, e mesmo sem saber explicar literalmente o que era o Om, intuitivamente achei que seria um  motivo nobre para dedicar minha vida. Levou-me um certo tempo encontrar a conexao entre o Om e o yoga, e sei que preciso de muitos anos de meditacao para compreender o significado profundo do Om. Nas escrituras, esse mantra sagrado é chamado Shabda Brahman, “Corpo Sonoro de Brahman”. Brahman é a Pura ConsciÊncia, presente em tudo e em todos, que se manifesta por meio das leis naturais, e que sustenta a criacao atraves do dharma: o principio da ordem universal.

A afirmacao “é preciso chegar no Om”, é a espinha dorsal do Yoga. Para o yogi, Om é o início, o meio e o fim no crescimento interior. Om e

é a liberdade, a plenitude e a felicidade que todos buscamos distraidamente do lado de fora, sem perceber que nos mesmos já somos isso. E necessário apenas descobrir essa liberdade em nós. A liberdade, chamada moskha em sânscrito, é o objetivo final de todas as formas do Yoga. O conhecimento é o veículo para acessarmos essa liberdade.

A Bússula sou Eu

Sabemos que o Yoga vive uma real popularidade e sem precedentes. Como explicar isso, sendo que existe ha milênios e nasceu na India? Considerando a regente crise de valores, esta pergunta se justifica plenamente.  Por que autoconhecimento logo agora que a humanidade parece ter mergulhado no elogio da auto-ignorancia? Enfrentamos guerras, violência, corrupcao, desastres ecológicos e éticos. Privilegia-se o ter em detrimento do ser, persegue-se o sucesso sacrificando a felicidade e aquilo que o filósofo grego Artistóteles chamou a “boa vida”. Nessa situacao, nao temos tempo para dedicar a nós mesmos; muito menos para aliviar a penúria dos irmãos. Que papel tem o Yoga nesse cenário? Dar uma visão construtiva, mais significativa e profunda sobre a existência humana. Com muita intensidade rumo a nossa consciência.

Há cientistas que afirmam que aquilo que chamamos de Atman, ou Ser, seria apenas uma serie de processos bioquimicos dentro do cérebro, e que tudo o que sentimos e pensamos seria somente uma tormenta de neurônios no sistema nervoso central. Esse tipo de explicacao sobre as grandes interrogantes da vida não satisfaz todos. Alguns intuem que deve haver alguma outra proposta de vida, mais simples, significativa e feliz. Podem ter se decepcionado com as explicacoes propostas por religiões, ciência ou humanismo laico. E assim se interessam pelo Yoga. Foi o caso do meu pai, por exemplo. Mais tarde, com minha mãe.

Essa gente sente atracão pela liberdade e o crescimento interior, baseados em práticas como compaixão, atentividade, vida de contemplacão, amor e capacidade de viver no agora, no presente. Creio assim.

Embora o Yoga tenha nascido na India, e crescido sob a égide da cultura védica, seu apelo é universal, tão atual agora como foi ha milênios.

Não obstante, esse enorme leque de possibilidades tem dado lugar ao surgimento de interpretacões superficiais, equivocadas e caricatas das práticas yogikas, desconectadas do propósito original.

O Yoga é como a mãe natureza, generosa e disposta  a nutrir quem precisar. Todavia, ele so nos dara seus frutos a medida em que nos entregarmos a ele. se buscarmos no Yoga apenas uma prática física, certamente conseguiremos estar em forma praticando. Mas estaremos perdendo a melhor parte: a autodescoberta, a liberdade e a plenitude. Se estivermos dispostos a realizar esses passos, chegaremos na meta. Portanto, lembre-se de Alan Watts: é preciso chegar no Om!

Namastê!

Um Grand Cru vale mais, em preço e prazer oferecido, que um best seller?

vinho.jpg Por Luana Schreiner

Não bebo álcool. Digo isso. Mas diante de um vinho integral, de uma safra especialmente privilegiada por mais de 10 fatores em benefício da sorte. Então eu bebo 02 taças em comemoração e gratidão à natureza e ao vinhateiro amoroso, vinífero de alma.

De duas em duas taças, observei muitos vinhos nos últimos 10 anos. E li muito mais que bebi. Realmente tenho sede de literatura enóloga. Ler e viajar mundo afora. Anotei e agora compartilho as anotações da caderneta.

Fatores que determinam o sabor de um vinho:

o clone é a vida, se as videiras tem 5 ou 50 anos de idade; em que espécie de solo se desenvolveram; a inclinação e a direção em que o vinhedo se situa; como as videiras são podadas; se são pulverizadas com produtos químicos; quais são as condições atmosféricas; quando as uvas são colhidas; o tipo de prensa usada; se a fermentação ocorre com leveduras naturais ou comerciais e a que temperatura; se o vinho é bombeado ou flui em função da gravidade; se o vinho é envelhecido em carvalho e que espécie e por quanto tempo; se é filtrado antes de engarrafado - todos fatores contribuem para impressão no copo. E também, quanto mais pressa, mais uva e mais vinho, pior é a qualidade.

Fórmula da americanização no vinhedo:

reduzir a quantidade de folhas de parra (effeuillage) para que mais sol incida nas uvas; reduzir a produção mediante “colheita verde”, ou corte de cachos quando as uvas ainda estão verdes para que a produção seja menor e todo sabor se concentre nas uvas remanescentes; vindimar o mais tarde possível, deixar as uvas pendentes até que estejam supermaduras, garantindo álcool e corpo substanciais e taninos doces; a cor vem do contato com a casca da uva, deixando que o frio macere pelo maior tempo possível; “amaciar” o vinho no início de sua vida com fermentação MALOLÁTICA na barrica, depois fazer o menos possível, nada de transfegar, afinar ou filtrar antes do engarrafamento. Mantê-lo natural.

Um artigo no Wine Business Monthly advertiu que, no intuito de fazer vinhos “troféus”, vitoriosos em degustações às cegas, os enólogos criaram um novo estilo de vinho de elevado teor de álcool, os “vinhos sociais”, cansativos para beber e que não complementam a comida. O ideal para acompanhar a comida é de no máximo 12,5% de nível médio de álcool.

Dê uma olhada no site do Robert Parker, {The Wine Advocate}, o crítico americano considerado o possuidor de um dos melhores e mais rápidos olfatos do mundo. E olhe os sites da concorrência, Wine Spectator, The International Wine Cellar, Harpers Wine, Spirit Weekly, Decanter, The Vine e Wine Business Monthly.

Mas, sabe, um crítico leva só 30 segundos para degustar alguma coisa. Acho que essa é a média do Parker. Trinta segundos! É ridículo, realmente. É assim que se produz o chamado gosto global. Mas tudo o que se pode fazer é trabalhar e produzir. O resto é … psicologia.” (Nicolo Incisa della Rochetta, da vinícula Sassicaia no Piemonte)

Técnicas de Violação de Vinhos:

não só para controle de danos na adega, mas também para afinar o produto final. Pode-se usar um “disque sabor” (framboesa para fruta tropical, apesar da framboeseira ser do hemisfério Norte), leveduras para fermentação, adicionar tanino, pigmentos, ácidos e chips (lascas) de carvalho (mais baratas que barricas novas de carvalho) e empregar tratamentos que eram muito mais chegados à ciência da era espacial do que ao velho e humilde vinhateiro. Veja o site da Enologix, empresa que criou um software de elaboração de vinhos na Califórnia, do coletor cerebral Leo McCloskey. Máquinas de reversão de osmose e outras concentrações podem remover o excesso de álcool resultantes das uvas supermaduras. A micro-oxigenação, na qual minúsculas bolhas de oxigênio são introduzidas na tina de um barril para substituir os sedimentos, pode fixar a cor e acelerar a evolução do vinho de modo que os críticos possam avaliar o vinho mais cedo.

Depois de tanta técnica, recomendo a sensibilidade. Leia “O Connaisseur Acidental” de Lawrence Osborne, tradução Adalgisa Campos da Silva, editora Intrínseca, 2004. Esse livro é demais de bom. É um Premier grand cru classé.

Lamento dizer que atualmente todos os perfumes têm o mesmo cheiro. Igual a Calvin Klein. São todos doces, florais ou cítricos. A fórmula mais inócua naturalmente sempre vai agradar ao maior número de pessoas”. (Osborne)

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O livro aborda os temas: A esquerda – O orgânico; Robert Mondavi; Elaboração tecnológica de vinhos; Escritores de vinhos; O futuro terroir da Califórnia; Metáforas duvidosa; Émile Peynaud; Solo de Languedoc; Relação importador – produtor; A pressa do mundo; O mel do Marrocos; Vinhos infantis – Vinhos modernos; História do surgimento do Barolo; História do surgimento do Sassicaia; Gambero Rosso – Guia; Livros, filmes, vários são sugeridos; a Decadência da Toscana; Mondo Antinori e sua terra Tignanello.

E o livro fala intimamente sobre as vinícola, seus vinhos e proprietários: V. Sterling; Tulocay; Chalone; Mount Eden; Ridge; Bonny Doon; Iris du Gayon; Saint-Jean de Bebian; Mas de Daumas Gassae; Mas de Cal Demoura; La Geynale; Châteauneuf-du-Pape; Dolcetta d’Alba; Azienda Fratelli Brovia; Cámia; Carema; Podere Pruneto; Podere Terreno; Castello di Volpaia; Coltibuona; Falesco; La Palazzola.

” Tignanello é, na verdade, uma cidade-fantasma. Foi abandonada por seus camponeses e depois convertida pela empresa Antinori numa espécie de spa turístico rural orientado para o vinho. É um fenômeno comum atualmente. Veja Napa na Califórnia….” (Osborne)

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30 anos sem Nabokov? Não, Nabokov é eterno

machenka.jpg “Imagine só, há uma semana só vejo neve, tudo aqui é branco é frio. O clima é gélido, desagradável e deprimente. E de repente como um passarinho vem à minha cabeça o pensamento de que em algum lugar muito muito distante há pessoas que levam uma vida completamente diferente. Que não estão estagnando como eu nesta fazendola perdida no meio do mato. Não, aqui é realmente chato demais. Me escreve alguma coisa. Qualquer besteirinha.”

Quem diz é Machenka, personagem oculta, adorada e odiada por Ganin, assim como é a Rússia para ele. A pátria sem força política, que não luta pela democracia. De um povo constituído por uma ralé indistinta. Rússia amaldiçoada mas também guardiã das melhores descrições de felicidade no livro Machenka” de 1926, o primeiro romance de Vladimir Nabokov, o russo nascido em São Petersburgo em 1899. Também autor de inúmeros livros, “Lolita” 1956, talvez o mais afamado. Vladimir Nabokov morou em Cambridge, Berlim, Paris, emigrou para os Estados Unidos e morreu em 1977 em Montreux, Suiça.

Em “Machenka” Nabokov expõe toda sua espontaneidade e ímpeto na força súbita e entusiasmada dos 27 anos. Onde já impressiona com o estilo próprio da criação de personagens independentes , fortes e nada convencionais. O livro chama atenção pela inteligência do autor. No prefácio, ele cria uma defesa de sua obra, em uma conversa aberta com escritores de críticas literárias. “Conquanto algum idiota possa afirmar que uma banana tem inegável forma fálica, aconselho os membros da delegação vienense a que não percam seu precioso tempo analisando o sonho de Klara no final do capítulo 4 deste livro.”

Como todas as pessoas que são muito diferentes e destoam da massa são geralmente odiadas ou excluídas. O autor continuou advogado de si mesmo na defesa do seu texto:

“Os professores de literatura têm o hábito de fazer perguntas do tipo: “Qual era o propósito do autor?”, ou ainda pior: “O que é que esse sujeito está tentando dizer?”. Ora, acontece que sou um desses autores que, ao iniciar um livro, não têm outro propósito senão o de livrar-se dele o mais rápido possível e que, ao serem chamados a explicar-lhe a origem e desenvolvimento, se vêem obrigados a recorrer a fórmulas cediças do gênero ‘interação entre a inspiração e a combinação’ – o que admito, é o mesmo que um mágico explicar um truque executando outro”. Falou o professor Nabokov no posfácio em defesa da obra Lolita 1956.

O melhor da literatura de Nabokov é o seu estilo, as aventuras não são o mais impressionante. Assim como há livros que nos ensinam muito, transmitem uma mensagem e imprimem uma experiência. Há livros que simplesmente nos mostram o quanto as idéias podem ser muito bem organizadas, e como é mágica a talentosa dinâmica de usar as palavras para descrever os sujeitos, contar uma estória. É assim em “Machenka“. Muito estiloso, desde já, genial.

Por Luana Schreiner

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foto que ilustra a capa do livro Collected Stories da editora Penguin Modern Classic

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