>Adeli Sell.
Meus parabéns pelo teu aniversário. Não posso deixar de lembrar de quando te conhci no AP que ficava no último andar do prédio da associação comercial. Havia um restaurante no térreo. Minha ex mulher Lori e minha irmã Marlene moravam lá com o Lilico (negro black power), prof de matemática. Alguns tinham vindo da CEUACA, Casa dos Estudantes Universitários Aparício Cora de Almeida, trincheira estudantil na luta contra a ditadura. Riachuelo 1355, onde morei por 7 anos. Acho que o Darlou, nunca vi mais, acho que professor também. A Chinha, namorada do Berimbau, O Berimbau, este lutou capoeira com um brigadiano numa passeata estudantil em 78 e levou um chute no peito. Segurei ele dentro do camburão quando íamos para o palácio da policia para sermos fichados. Também foram presos o Paulo M’uller Lopes e o Guert Schinke que segurava a mesma faicha que eu segurava:’Abaixo a Ditadura’. Há meses fazíamos passeatas na rua da Praia, semanalmente, ou em frente ao RU. Naquele dia a brigada veio com um esquemão para nos pegar. Miravam em alguém e saiam atras até pegar. Eu corri 200 metros em direção a rua da praia. Entrei numa loja e fui preso. Levei uns cassetetes no estômago. O brigadiano mandava eu levantar as mãos e me batia no estômago. Quando eu me abaixava de dor ele me mandava levantar as mãos e me batia de novo. Levou-me até o porão da prefeitura onde estavam levando os que eram presos. Depois tivemos que ir três vezes na polícia federal dizer se o meu pai ou meu tio eram comunistas e assim por diante, até que na terceira vez havia um deputado do mdb que chegou dizendo que ia nos livrar do problema, era só assinar uma declaração. No papel dizia que estávamos fazindo baderna na rua. Revoltei-me, disse que eu não era baderneiro. Então o que tu tava fazendo lá. Pois eu vou dizer exatamente. Estávamos lá lutando pelas liberdades democráticas e pela anistia aos presos políticos exilados. Ah é disse o militar então você vai ver. Escrevam o que ele disse que eu quero ver ele assinar. Pode escrever que eu assino. E assim foi. Felizmente não deu em nada. Fui direto para o DCE, onde o Davi Fiakov e o SAvio Loguércio botaram a mão na cabeça, mas tu é louco. Os outros todos assinaram como baderneiros.No ano seguinte aconteceu a anistia.
(Disse felizmente, mas nem tanto, porque eles ficaram no meu pé. Dois meses depois, depois de uma passeata na frente do palácio do governo, durante uma greve da construção civil. Deu correria e pauleira com bigadianos a cavalo, batendo com cassetete e prendendo.
Nos escondemos numa garagem próximo a biblioteca pública. Esperamos uma hora e saimos. Mesmo assim nos pegaram e anotaram o nome e a identidade. à noite estava chegando em casa na cidade baixa. Havia um carro parado em frente ao prédio e dele estava saindo 5 policiais civis, me encarando. Voltei correndo em direção a Getúlio VArgas, tentando pegar o ônibusa. Me alcançaram. Encostaram um revóver no meu peito. Me agarrei numa grade. O carro deles parou ao lado, queriam me levar. Comecei a pedir socorro em voz alta, chamndo pela polícia, dizendo que era estudante e que estavam querendo me prender porque eu estava vindo de uma passeata estudantil. Começou a juntar gente em volta. Eles me largaram e me ameaçaram dizendo que na próxima vez eu não escapava. No ano seguinte passei a coordenar o núcleo de trabalho comunitário do PT que reunia-se no edifício Coliseu. Passei a integrar a primeira comissão estadual provisória do PT, como representante do núcleo, fazendo um boletim interno e um boletim externo do partido, que largáva-mos na Zivi Hércules e na Renner. Pegava mil folhas num sindicato da rua da praia e levava até o sindicato dos bancários também na Rua Da Praia onde um funcionário simpatizante rodava o boletim depois do expediente. Trouxemos o Lula que fez um comicio em cachoeirinha, onde ficamos na comissão de segurança. O Guert era o único que foi armado conforme o combinado. Um 38 velho. Não tiramos o olho do Lula. Fizemos um cinturão em torno dele o tempo todo. Depois panfleteamos com o Lula na Taurus. Depois almoçamos com ele na casa do (até já faleceu, um bancário) e batemos uma bolinha no jardim. No ano seguinte iniciamos a fundação do partido em Viamão.
-Adeli, perguntei, o que é girino, no apartamento em questão.
-_Girino é uma lagartixa, tem muitas na casa do fulano onde nos reunimos, respondeu o Adeli.
-Mais tarde, quando eu também fui um girino, descobri que era um apelido para quem fazia o GEr, algo como grupo de estudos revolucionários.
Mauro Schreiner fone 84110425
Darlou D'Arisbo said,
26, September 2008 at 10:02 pm
Agradeço se informar mais detalhes sobre a citação de meu nome, considerando que residi na Jeronimo Coelho, fundos da CEUACA. Suponho tratar-se de homônimo, mas aguardo. Cordialmente. Darlou
Bia said,
11, October 2008 at 6:00 pm
Hoje faleceu uma pessoa que eu respeito muito, pus o nome dele no google, certa de que alguma história da sua luta surgiria. Então, abriu esta página.
Sávio Loguércio, militante do PC do B, faleceu hoje.