O Discurso Jornalístico

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Discurso Referencial, Legitimação e Efeito do Real

O texto é a referência. A autoreferência é a identidade que reconhecemos no texto. O jornalismo é um fato da língua, uma instituição social. Como tal, seu papel consiste em organizar discursivamente. Todo testemunho remete a outro testemunho, todo texto se justifica por meio de outro. Em suma, é provar a prova. Isso é legitimidade. O discurso irá se legitimar por auto-referência, se opondo a seus contrários.

O jornalismo utiliza-se do discurso referencial para se legitimar perante o público e confirmar o pacto social que ele estabelece com a sociedade – fornecimento de informação, fiscalização do poder público e vigilância da ordem estabelecida. Esse discurso centra-se no referente, o qual não depende da ordem simbólica, e está fora do signo. Toma o real como auto-suficiente, como se não fosse mediatizado. O jornalismo esquece que também está inserido na ordem simbólica e que é o testemunho do testemunho.

Verossímil

Busca-se não o real, mas seu efeito, pois o “real” nada mais é que um significado, arbitrado por trás do referente. Também deseja-se o testemunho para seu testemunho, ou seja, a auto-legitimação. Recorrem, portanto, a uma realidade construída por eles mesmos. Troca-se verdade e verdadeiro por credibilidade e verossímil. Roland Barthes disse: “O real concreto se torna a justificativa suficiente do dizer”. Isso mostra porque o jornalismo tenta se legitimar.

Existem três estratégias usadas pela imprensa para consolidar o discurso referencial: a ancoragem, a desembreagem enunciva e a objetivação. A objetivação é o que torna o abstrato em concreto para simplificar o entendimento da informação. Como por exemplo, o uso de gráficos, tabelas, boxes, desenhos e fotografias.

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